Cultura e arte
Publicado ontem às 10:31
Rio Grande do Sul perde Adão Quintana e Bagre Fagundes em um fim de semana de luto para a cultura
Referência da música nativista os dois artistas deixam um legado que marcou festivais, a identidade cultural e a história do tradicionalismo gaúcho
O tradicionalismo e a música regional gaúcha vivem dias de luto com a perda de dois de seus grandes representantes. Em um intervalo de apenas dois dias, morreram o compositor e instrumentista Adão Quintana Vieira, aos 70 anos, e o músico Bagre Fagundes, aos 86 anos, nomes que ajudaram a construir parte da história da cultura do Rio Grande do Sul.
Adão Quintana faleceu na sexta-feira, 31 de julho, em Porto Alegre. Natural de Uruguaiana, destacou-se como um dos principais compositores da música nativista e integrou o Grupo Parceria. Ao longo da carreira, tornou-se um dos autores mais premiados do Carijo da Canção Gaúcha, em Palmeira das Missões, assinando melodias de obras que marcaram os festivais, como Despedida de um Mateador, Peão das Horas, Homens de Ontem e Quem São Eles. Também deixou sua marca em importantes eventos tradicionalistas, como a Jornada Nativista de Caibaté e a Casilha da Canção Farrapa, em Itaqui.
Reconhecido pela sensibilidade de suas milongas, chamarras e rasguidos dobles, Adão Quintana dedicou sua trajetória à valorização da identidade cultural do pampa e tornou-se uma das referências da música regional gaúcha.
Já neste domingo, 2 de agosto, morreu Bagre Fagundes, aos 86 anos, em Porto Alegre, onde estava internado desde maio. Integrante da família Fagundes e um dos grandes nomes da cultura gaúcha, Bagre eternizou seu nome ao lado do irmão Nico Fagundes como coautor do Canto Alegretense e Origens, consideradas uns dos maiores clássicos da música do Rio Grande do Sul.
Além da canção que se transformou em um verdadeiro hino não oficial do Estado, Bagre também ajudou a consolidar a trajetória de grupos como Os Angüeras, Grupo Inhanduy e, posteriormente, Os Fagundes, ao lado dos filhos e do irmão Nico. Com sua inseparável gaita de quatro baixos, percorreu o Estado levando a música nativista e preservando as tradições gaúchas por meio da arte.
A morte de Bagre foi confirmada pelo filho, Ernesto Fagundes. O velório será realizado nesta segunda-feira, 3 de agosto, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, com cerimônia aberta ao público.
As despedidas de Adão Quintana e Bagre Fagundes mobilizaram artistas, tradicionalistas e admiradores em todo o Estado. Juntos, deixam um legado de canções que atravessaram gerações e ajudaram a fortalecer a identidade cultural do Rio Grande do Sul, tornando-se referências permanentes da música nativista e do tradicionalismo gaúcho.