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  • Primavera começa com previsão de chuva acima da média e exige atenção dos produtores gaúchos

    Previsão indica períodos de chuva frequente e possibilidade de temporais no Estado

    A chegada da primavera traz mudanças importantes para o cenário agrícola do Rio Grande do Sul. Enquanto as principais culturas de inverno avançam para as fases reprodutivas e algumas áreas já iniciam a colheita, os produtores intensificam a implantação das culturas de verão. Ao mesmo tempo, a previsão meteorológica para as próximas semanas indica períodos de instabilidade, com possibilidade de chuvas frequentes e volumes elevados em diferentes regiões do Estado.

    A primavera começou oficialmente na terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, no Hemisfério Sul, e seguirá até 21 de dezembro, às 18h50. Para o trimestre de outubro a dezembro, o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), prevê condições favoráveis à ocorrência de chuva acima da média nos três estados da Região Sul.

    No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os acumulados podem ficar até 200 milímetros acima da média histórica do trimestre. O cenário está associado à influência de um El Niño de forte intensidade, que tende a favorecer maior frequência de episódios de chuva no Sul do Brasil.

    As temperaturas, de modo geral, devem permanecer próximas da média no Rio Grande do Sul. Na região Sul do Estado, entretanto, podem ocorrer períodos com temperaturas até 0,5°C abaixo da média.

    Culturas de inverno avançam para a reta final

    O trigo está predominantemente em fases reprodutivas. Cerca de 9% das lavouras encontram-se em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração, 54% em enchimento de grãos e 13% em maturação. A colheita ainda está restrita às áreas mais adiantadas, principalmente no Noroeste, e alcança aproximadamente 1% da área cultivada.

    As geadas registradas em 7 e 8 de setembro provocaram danos de intensidade moderada em lavouras do Planalto Médio, especialmente nas áreas que estavam em florescimento no momento da ocorrência. Até 20 de setembro, porém, as condições meteorológicas foram consideradas, de modo geral, favoráveis ao desenvolvimento do trigo, com boa disponibilidade de radiação solar e temperaturas inicialmente mais baixas, que foram aumentando gradualmente.

    Já as chuvas acompanhadas de ventos registradas na madrugada de 21 de setembro provocaram ocorrências pontuais, como acamamento de lavouras e processos erosivos. A dimensão dos danos ainda está sendo avaliada.

    Na aveia-branca, o ciclo também está avançado. Cerca de 51% das lavouras estão em enchimento de grãos e 26% em maturação. A floração corresponde a 11% da área, enquanto 5% permanecem em desenvolvimento vegetativo e 7% já foram colhidos.

    As chuvas intensas provocaram acamamento localizado e, em algumas áreas, aumentaram a incidência de doenças fúngicas. A situação varia de acordo com as condições de cada lavoura.

    A canola apresenta o ciclo mais adiantado entre as principais culturas de inverno. Aproximadamente 63% das áreas estão em enchimento de grãos, 29% em maturação, 5% em floração e 3% já foram colhidos.

    Nas lavouras em maturação, a diferença no desenvolvimento entre as estruturas reprodutivas tem prolongado o período até a colheita. Em parte das áreas, produtores realizam a dessecação para uniformizar a maturação e facilitar a operação. A preocupação aumenta nas lavouras mais adiantadas, especialmente diante da possibilidade de novas chuvas e de deiscência natural das síliquas, situação que pode provocar perdas de grãos antes da colheita.

    A cevada, por sua vez, apresenta 27% das lavouras em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração, 43% em enchimento de grãos e 7% em maturação. A evolução é considerada satisfatória e as áreas mais adiantadas começam a ingressar na fase de maturação.

    Milho inicia implantação da safra de verão

    A semeadura do milho avançou até 20 de setembro e já alcançou aproximadamente 68% da área projetada no Estado. O avanço foi favorecido pela melhora das condições térmicas e pela maior friabilidade dos solos.

    Nas áreas já implantadas, predominam as fases de germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial. O crescimento das plantas ganhou ritmo com a elevação das temperaturas observada a partir de 15 de setembro.

    As geadas de 7 de setembro provocaram danos localizados. Em parte das áreas atingidas, porém, as plantas apresentaram capacidade de recuperação, principalmente nos casos em que o ponto de crescimento permaneceu protegido abaixo da superfície do solo.

    As chuvas intensas e os ventos de 21 de setembro também provocaram danos pontuais e processos erosivos, ainda em fase de levantamento.

    O cenário para os próximos meses exige atenção. O prognóstico do Copaaergs indica que a frequência elevada de chuvas poderá favorecer o desenvolvimento das culturas de verão quando houver boas condições de nutrição e manejo, mas também poderá dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e reduzir os períodos disponíveis para a implantação e os tratos culturais.

    A menor incidência de radiação solar e os intervalos reduzidos entre as chuvas podem afetar a uniformidade da emergência e o estabelecimento de lavouras de soja e milho, com possíveis reflexos sobre a produtividade.

    Arroz avança de forma mais lenta

    A implantação da safra de arroz ainda está em fase inicial. O maior avanço ocorre na Fronteira Oeste, enquanto outras regiões produtoras começam as operações.

    As chuvas volumosas têm condicionado o ritmo da semeadura e exigido a drenagem de áreas para permitir a continuidade dos trabalhos e evitar problemas no estabelecimento das lavouras já implantadas.

    Os produtores também intensificam as atividades de preparo e sistematização das áreas, dessecação e manejo dos terrenos destinados ao cultivo, incluindo sistemas de pré-germinado e semeadura em solo seco.

    Na Região Sul, a situação dos mananciais e barragens apresentou recuperação após as precipitações registradas durante agosto.

    Para o trimestre da primavera, entretanto, a previsão de chuva acima da média exige atenção especial nas áreas de arroz com deficiência de drenagem. O excesso de água no solo pode dificultar a emergência e o estabelecimento inicial das plantas.

    Feijão começa a ser semeado

    A implantação da primeira safra de feijão também está em fase inicial, com menos de 10% da área projetada semeada. O cultivo está concentrado inicialmente em locais menos expostos às geadas e aos ventos frios.

    As temperaturas ainda têm limitado o desenvolvimento inicial das plantas, principalmente nas lavouras implantadas mais cedo, que apresentam crescimento reduzido.

    Nas regiões de maior altitude, algumas áreas já estão preparadas ou iniciando a semeadura. Nas áreas de menor altitude, o cultivo destinado à subsistência familiar está mais adiantado.

    Chuvas afetam hortaliças e aumentam pressão sobre produtores

    Na horticultura, os efeitos do excesso de chuva já são observados em algumas regiões. Na área administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, precipitações intensas acompanhadas de granizo e ventos fortes provocaram prejuízos.

    O excesso de umidade favoreceu a ocorrência e a disseminação de doenças fúngicas e bacterianas, além de limitar a realização de tratos culturais e colheitas.

    O granizo provocou lesões, perfurações e perda de qualidade comercial em folhas, frutos e hastes. Os ventos também causaram tombamento de plantas e danos em estufas, túneis e sistemas de irrigação.

    Nas áreas mais atingidas, será necessário realizar o replantio, aumentando os custos de produção e reduzindo temporariamente a oferta de produtos.

    Uva inicia brotação

    Nas áreas de produção de uva, as plantas estão entrando no período de início da brotação. O desenvolvimento varia conforme a altitude e as condições microclimáticas.

    Nas regiões de menor altitude, a brotação está mais avançada. Apesar da ocorrência de variações de temperatura e precipitações, até o momento não foram identificados focos significativos de doenças nas áreas acompanhadas.

    Pastagens também sentem os efeitos do clima

    Nas pastagens cultivadas, a combinação entre umidade, temperatura e disponibilidade de radiação solar tem produzido respostas diferentes entre as espécies.

    Azevém, aveia e algumas forrageiras perenes apresentam boa oferta de alimento. Por outro lado, o excesso de umidade e as temperaturas mais baixas prejudicam a implantação e a germinação de espécies de verão em algumas regiões.

    Com a aproximação do período de implantação das pastagens de verão, os produtores começam a preparar as áreas e adquirir sementes de milheto, sorgo e capim-sudão. Os preços desses insumos apresentam elevação em relação ao ano anterior.

    Na bovinocultura de leite, o excesso de chuvas também aumenta os desafios de manejo. A umidade dificulta o acesso às salas de ordenha e às áreas de alimentação e exige maior atenção à higiene, à prevenção de mastite e aos problemas de casco.

    Além disso, como as pastagens de inverno estão chegando ao final do ciclo, aumenta a necessidade de utilização de silagem, concentrados e outras formas de suplementação, principalmente para as vacas em lactação.

    El Niño deve manter chuvas frequentes na primavera

    De acordo com o Copaaergs, os efeitos do El Niño tendem a ser mais evidentes durante outubro e novembro, período em que a influência do fenômeno sobre as precipitações é climatologicamente mais forte no Rio Grande do Sul.

    O padrão atmosférico favorece o fortalecimento do jato subtropical e dos jatos de baixos níveis, aumentando o transporte de calor e umidade da região amazônica em direção aos subtrópicos.

    Com isso, são esperados episódios frequentes de chuva, que podem ocorrer de forma intensa em diferentes regiões do Estado. Norte e Oeste estão entre as áreas que podem registrar maiores volumes. Também existe possibilidade de tempestades, rajadas de vento e queda de granizo.

    Outro fator de atenção é a possibilidade de sistemas frontais permanecerem por mais tempo entre Argentina, Uruguai, Paraguai e Sul do Brasil. Quando isso ocorre, podem ser registrados períodos prolongados de chuva e acumulados elevados.

    Previsão para os próximos dias

    Entre quinta-feira, 24 de setembro, e sexta-feira, 25 de setembro, o tempo deve permanecer estável na maior parte do Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa. A partir de sexta-feira, as temperaturas devem subir em todo o Estado.

    Entre sábado, 26, e domingo, 27 de setembro, a circulação atmosférica deve favorecer o transporte de umidade, aumentando a nebulosidade e a instabilidade. A previsão indica chuva principalmente na metade Sul, com possibilidade de rajadas de vento em algumas localidades no domingo.

    Entre segunda-feira, 28, e terça-feira, 29 de setembro, a passagem de uma nova frente fria deverá manter o tempo instável em todas as regiões do Estado. Há previsão de chuva e possibilidade de rajadas de vento.

    Na quarta-feira, 30 de setembro, o sistema deve se afastar, permitindo o retorno de condições mais estáveis e sem previsão de chuva significativa. As temperaturas também deverão diminuir.

    Para o período, os acumulados de chuva previstos variam entre zero e 200 milímetros, com possibilidade de volumes superiores a esse patamar em pontos isolados.

    Manejo do solo ganha importância

    Diante da previsão de chuvas frequentes, uma das principais recomendações do Copaaergs é manter o solo protegido. A orientação é evitar períodos prolongados com áreas descobertas e utilizar culturas destinadas à produção de grãos, plantas de serviço ou cobertura, espécies forrageiras e consórcios de diferentes espécies.

    A cobertura do solo contribui para reduzir os riscos de erosão e de perdas de solo e nutrientes, especialmente diante da possibilidade de chuvas intensas.

    Mesmo com a previsão de precipitações acima da média, o Conselho também recomenda que os produtores aproveitem o período para melhorar a capacidade de armazenamento de água no solo e realizar reserva hídrica.

    A orientação considera que a distribuição das chuvas pode ser irregular e que a influência do El Niño tende a diminuir durante o verão. Com o aumento das temperaturas e da demanda hídrica nessa estação, a disponibilidade de água poderá voltar a ser um fator importante para as lavouras.

    O cenário para o início da primavera, portanto, combina avanços importantes no ciclo agrícola com desafios relacionados ao excesso de umidade. Para os produtores gaúchos, o período deverá exigir atenção ao momento adequado para operações de campo, proteção do solo, drenagem das áreas e acompanhamento constante das condições das lavouras, especialmente diante da possibilidade de novas chuvas intensas, ventos e temporais.

    Heloise Santi - Jornalista Grupo Chiru
    No Ar: Sabadão 107 com Amanda Busnello 16:00 - 21:00

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